Aqui você confere algumas entrevistas com a banda!

      INQUÉRITO FU:

      Confira aqui uma entrevista exclusiva
      com o John e a Fernanda:

      1. De onde surgiu o logotipo do Pato Fu? Quem criou e qual o significado subliminar?

      Bem, o logotipo foi criado por mim...Na verdade, nome e logotipo foram criados de uma vezada só. O subliminar do dito é a bandeira do Japão, alusão aos nossos japs...

      2. O que mudou na banda com a entrada do Xande e quem foi o responsável pela vinda dele?

      Hmmm, o que mais mudou, além da sonoridade é claro, foi que passou a ser possível fazermos pré-arranjos de algumas músicas, ANTES de sequenciar qualquer coisa. O primeiro contato com ele foi feito pelo Ricardo, que já o conhecia da Dib Six, sua antiga banda.

      3. Muito se tem comentado, a título de observação e não de crítica, sobre a mudança de estilo nos shows e que a Fernanda em especial tem adotado uma postura mais "séria" no palco.... Cadê a Fernanda elétrica do Rotomusic e do Gol de Quem? A que se deve essa mudança?

      É, o humor e a "eletricidade" são elementos muito legais em um show, mas a gente realmente tem procurado perceber o quanto eles são ao mesmo tempo "desviadores de assunto", isto é, onde há muito humor, não se consegue enxergar mais quase nada. E realmente acho que estamos querendo que as pessoas percebam o nosso trabalho de uma forma mais ampla. Não tenho certeza que estamos conscientemente "dosando"estas coisas, mas é mais uma questão de atitude, que vai evoluindo e mudando, espero que pra cada vez melhor...Mas francamente, acho que nunca vou parar de usar da ironia, é a matéria prima das minhas letras...

      4. Quem o Pato Fu gostaria de chamar, mais ainda não teve oportunidade, para uma participação num trabalho da banda?

      Putz, estamos doidos pra tocar com o Tangos e Tragédias AO VIVO! Chegamos a ensaiar numa passagem de som para um show, mas caiu um temporal e foi cancelado! Ficamos na vontade...

      5. Do cenário do rock nacional, quais as bandas vocês tem maior contato, independente de gostarem ou não do trabalho das mesmas?

      Muito contato mesmo com o Virna Lisi, que é do "cast" da Rotomusic Produções, as outras bandas mineiras como o Skank e o J. Quest...Fora de Minas, os mais chegados são os Raimundos, Karnak, Planet Hemp, O Rappa, Barão Vermelho, Kid Abelha, Legião, putz, sei lá, acho que quase todo mundo é bem amigo...

      6. Qual o relacionamento de vocês com a Rita Lee?
      Ela e’sempre super simpática com a gente, e a recíproca é verdadeira, é uma pessoa muito bacana...

      7. Além da música e quais as profissões cada um já teve antes da banda?

      Bom, eu era (sou) sócio lá da Guitar Shop. A Fernanda era sócia da DMJ, uma empresa de comunicaçãso visual. O Ricardo era vendedor na Guitar Shop e acho que já teve um monte de empregos antes. O Xande, pelo que sei, sempre foi músico...

      8. Qual a ligação de vocês com a informática além dos já conhecidos jogos e da INTERNET? Algum uso profissional ou por hobbie? Algum tipo de programa em especial?

      Na verdade não jogamos tanto assim não...Eu gosto de produzir umas coisas "gráficas" de vez em quando, mas nada muito sério...O uso profissional está mais ligado ao escritório e coisas do tipo. Mas nada muito avançado.

      9. Como é fazer shows fora do país? Qual a receptividade dos "gringos" com a banda?

      Well, fizemos 1 show em Nova York, no SOB’s...Só podemos falar desse, sendo assim, se todos forem desse jeito, beleza, porque esse foi maravilhoso...E praticamente não tinha brasileiro!

      10. O que é "mídia" e o que ela representa para a banda? Um "mal necessário"?
      Ah, a midia não é um mal em si...É um meio, é necessário saber usá-la pra não ser usado por ela...O fato é que sem ela, uma banda não sustenta seus membros, ninguém pode largar seu emprego e viver de sua música se não toca pelo menos um pouquinho no rádio ou na TV, não aparece nos jornais...Foi assim que vocês ficaram nos conhecendo, não?

      11. Viver na estrada... a rotina palco-hotel, o dia-a-dia distante da família e dos amigos, até que ponto isso interfere ou prejudica a vida pessoal?

      Acho que isso varia de pessoa pra pessoa, a estrada pode ser cansativa, mas ninguém reclama! Quem não consegue se adaptar a isso tem que mudar de profissão, porque é a própria afirmação do seu trabalho, você estar viajando por todo o país fazendo shows...

      12. O que é um Pato Fã chato? (esperamos não ganhar um espelho como resposta...)

      É aquele que descobre seu telefone e fica ligando pra sua casa pra pedir coisas e perguntar: "E aí, tudo bem? O que você está fazendo agora?"

      Confira aqui uma entrevista do John
      para a revista Underguide
      (publicação autorizada pela revista)

      1990: após acompanhar por 10 anos o SexPlícito, antológica banda dos anos 80, o guitarrista John decide dedicar-se exclusivamente ao seu projeto paralelo, o Grupo Sustados por um Gesto, formado por John, Fernanda Takai e pelo baixista Bob (atualmente na Yellowfante). Esta banda já utilizava sequencers e bases eletrônicas e mais tarde tornaria-se o PATO FU. 1996: com o recém-lançado Tem Mas Acabou, terceiro disco da banda, o mesmo John conversa com o pessoal do Underguide e explica como o liqüidificador sonoro do Pato Fu chegou ao sucesso.

      A sua saída do SexPlícito e o início da carreira do Pato Fu coincidiram com o declínio do primeiro boom do rock nacional, nos anos 80. O que ajudou a revitalizar esse cenário?

      Acho que foi um processo cíclico. A última banda dos anos 80 que conseguiu vingar foi o Engenheiro do Hawaí. Depois disso, houve uma saturação no mercado. As bandas eram todas muito parecidas, o que de certa forma cansou o público. Talvez a única exceção tenha sido o Picassos Falsos (antiga banda de Humberto Effe), que fazia um som diferente, mas que também acabou não dando certo. A MTV colaborou muito no processo de renovação do rock nacional, abrindo espaço para artistas novos. As próprias bandas passaram a apresentar novas propostas, com um trabalho mais consistente e mais profissional. As bandas alternativas passaram a ter um cuidado muito maior com a produção.

      E dentro desse esquema, como o Pato Fu conseguiu passar de uma gravadora independente como a Cogumelo para uma major?

      O Pato Fu teve uma vantagem porque nós já tínhamos todo um know-how adquirido pelos anos de estrada, pela minha bagagem com o SexPlícito. As pessoas se perguntavam como uma banda nova como o Pato Fu conseguiu gravar depois de apenas dois anos de carreira. Na verdade, nós não começamos do zero. Foram dois anos, mais os dez anos de batalha com o SexPlícito. Quanto à gravadora, a Cogumelo sempre foi mais voltada para o metal. Só que todo ano eles lançavam uma banda diferente que destoava do resto do cast. Naquele ano (93), o E. T. da Cogumelo foi o Pato Fu (risos). Só que nós sempre achamos que o underground era apenas uma ponte para chegar a algo maior. Então, com o disco pronto, a gente partiu para divulgação. O Ricardo (Kóctus, baixista da banda) dava uma de empresário, ia pro Rio de Janeiro e conhecia gente importante no meio musical. Foi quando participamos do Festival Super Demo. Um pessoal da BMG assistiu o nosso show, gostou, e logo depois já estávamos assinando contrato.

      Como vocês definem o estilo do Pato Fu?

      Nós sempre buscamos fugir dos rótulos. No começo, a gente achava que Rotomusic de Liquidificapum era uma boa definição. Mas é meio difícil de entender (risos). A gente prefere deixar o pessoal da mídia inventar os rótulos.

      Você acha que a diversidade musical de vocês reflete no público?

      Sem dúvida. Nos shows do Pato Fu você vê desde cabeludos batendo cabeça lá na frente até um pessoal mais velho. Aliás nós sempre fomos uma banda de shows. Só que isso também acaba nos trazendo problemas, por causa desse lance de "música de trabalho". Uma única música não é suficiente para mostrar todo o nosso trabalho, nossa diversidade. Muitas vezes, o pessoal diz: "Ah, o Pato Fu é aquela banda que tem aquela música Sobre o Tempo...". Aí neguinho compra o disco e vê que cada música é diferente da outra.

      E me parece que nesse último disco, Tem Mas Acabou, vocês tentaram ser mais "acessíveis"...

      Na verdade não foi bem assim. Nos outros discos acontecia que muitas pessoas tinham sempre a mesma opinião. Todo mundo gostava sempre das mesmas músicas. No Tem Mas Acabou nós tentamos manter o mesmo conceito, mas dando uma chave para as pessoas entenderem. E a resposta tem sido muito boa. Tem gente que diz: "Pô, esse disco tá muito pop!". Outros dizem: "Pô, esse disco tá muito maluco! Tem aquela música Capetão...". E na verdade o disco é assim, tem coisas pesadas e outras mais suaves, porque nós também somos assim.

      E numa banda com um estilo tão diverso é difícil prever os rumos que vocês irão tomar?

      Muitas vezes, quando você está gravando um disco, você pensa: "No próximo disco eu vou fazer assim ou assado...". Mas nós ainda estamos divulgando este disco, é muito cedo para pensar em alguma coisa pro futuro. Na verdade, nós já temos algumas idéias, mas nada muito certo ainda.

      E essa onda de bandas que estão misturando rock n’ roll com ritmos regionais?

      Você acha que é só mais um modismo ou o Brasil está realmente descobrindo sua riqueza musical? Eu acho que é um pouco dos dois. Existem bandas que realmente se utilizam dessa fusão de ritmos de maneira autêntica, é um lance de valorizar as raízes mesmo. Bandas como nós, Raimundos e Chico Science. Cada uma começou a fazer um lance parecido, mas sem saber das outras, como se todo mundo estivesse em sintonia. É claro que depois que se descobre que isso faz sucesso, uma porrada de outras bandas começa a seguir a mesma linha. É aí que entra o modismo, Nos anos 80 também era assim, só que o lance da época era copiar bandas estrangeiras.

      E o que uma banda deve fazer para chegar ao sucesso?

      Com o Pato Fu aconteceu o seguinte: nós sempre adotamos um padrão de qualidade ISSO 9000 (risos). Acho que tem que ser assim: qualidade total! Tudo na banda tem que ser do caralho. Desde a qualidade de gravação da demo até a capinha. Pra que gravar uma demo com seis músicas se só duas prestam? Tem que gravar só o que presta! É só assim que funciona.

      Underguide é uma publicação trimestal da Espetáculo Editora e que vem realizando um importante projeto de divulgação das bandas emergentes no país.
      E-mail: underguide@infinity.com.br